segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

SÁTIRA...

O Primeiro Dia de Centeno
Sátira...

«O PRIMEIRO DIA DE CENTENO»

- Senhor presidente do Eurogrupo,
Daqui a pouco começa a reunião…
- Sobre o assunto nesta rica ocasião:
Se é importante, eu me preocupo.

- O tema quente parece ser Portugal,
Esse país à beira-mar desgovernado…
- Tenho que falar com muito cuidado,
Ligue ao ministro das finanças local (?)

- O ministro das finanças desse país
É igualmente o senhor presidente,
Que deve estar duplamente feliz!...

- Então fico a sós com minha mente…
Não quero que o outro esteja infeliz,
Basta-me um socialista deprimente!!

POETA

domingo, 21 de janeiro de 2018

SÁTIRA...

Estados d'Alma
Sátira...

«ESTADOS D’ALMA»

- Manela Azeda o Leite,
Não estou a perceber…
O que Ele está a fazer
Tem que se aproveite?
- A verdade como azeite…
Mas tens que ter calma,
Ele só quer a tua alma
Depois de muito snifar…
Se te resolver comprar,
Não vai sobrar vivalma!

POETA

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

SÁTIRA...

Os Ventos Traiçoeiros de Santana
Sátira...

«OS VENTOS TRAIÇOEIROS DE SANTANA»

Tenho alguma chance,
O vento sopra a favor…
Sigo com muito fervor
Na minha performance.
O vento num relance
Noutra direcção ruma,
Não vejo chance alguma
Que isto possa mudar…
Talvez mude, se calhar…?
Sem hipótese nenhuma!

POETA

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

OUTROS CONTOS

«Poema Solidário», conto poético por Herberto Helder.

«Poema Solidário»
Herberto Helder/ Poeta Imortal

1132- «POEMA SOLIDÁRIO»

 se morrer esta noite
acordo de manhãzinha 
para ir ao funeral
dizer um poema solidário

solidário…
com os mortos em geral
e comigo em particular
que há pouco estou defunto.

meus camaradas mortos:
acabo de chegar
ao abrigo do silêncio e da solidão
onde a morte se contempla…

…ou se vive…

Herberto Helder

SÁTIRA...

O Íman
Iman1.gif
Sátira...

«O ÍMAN»

O socialismo na gaveta
Atrai todos à condição…
Muitos querem dar a mão,
Seja esquerda ou direita.
A qualquer um se ajeita
Quando está em minoria,
Mas se apanha a maioria
Repele os seus opositores…
Vai distribuindo favores
Com muita ironia!

POETA

SÁTIRA...

A Preocupação
Sátira...

«A PREOCUPAÇÃO»

- O desemprego jovem
Continua a aumentar.
- Não me estejas a preocupar,
Assim os votos não chovem!
- Essas palavras comovem
As pedras da calçada…
- Disse alguma coisa errada?
Votar em mim é boa receita…
- Pouco ou nada se aproveita
Da tua conversa estragada!

POETA

domingo, 7 de janeiro de 2018

OUTROS CONTOS

«Os Sexos», por Dorothy Parker.

«Os Sexos»
Detalhe de O Amor Novo/ Jorge Gay

1131- «OS SEXOS»

O rapaz de gravata extravagante olhou nervosamente para a jovem vestida de babados, ao seu lado no sofá. Ela examinava o seu lencinho com tal interesse que era como se aquela fosse a primeira vez que via um e se tivesse encantado pela sua forma, material e possibilidades. O rapaz tossiu, produzindo um ruído baixinho e sincopado, sem necessidade e sem sucesso.

- Quer um cigarro? - perguntou.

- Não, obrigada - disse ela. - Imensamente obrigada, de qualquer maneira.

- Perdão, só tenho desta marca - disse ele. Você tem da marca que gosta?

- Não sei, talvez tenha - disse ela. - Mas obrigada assim mesmo.

- Porque, se não tiver, não me custaria mais que um minuto para ir à esquina
e comprar um maço.

- Oh, obrigada, mas eu não lhe daria este trabalho por nada deste mundo -disse ela. - É extremamente gentil da sua parte oferecer-se para isso, mas muito obrigada.

- Droga, quer parar de ficar me agradecendo o tempo todo? - disse ele.

- Realmente - disse ela -, eu não sabia que estava dizendo nada inconveniente. Mil perdões se o magoei. Sei como a gente se sente quando é magoada. Nunca imaginei que fosse um insulto dizer “obrigada” a alguém. Não estou exactamente habituada a ouvir alguém gritar comigo quando digo “obrigada”.

- Não gritei com você! - gritou ele.

- Ah, não? - disse ela. - Sei.

- Meu Deus - disse ele -, só lhe perguntei se podia ir lá fora comprar cigarros para você. É motivo para você subir pelas paredes?

- Quem está subindo pelas paredes? - disse ela. - Eu apenas não sabia que era um crime dizer que jamais sonharia em lhe dar esse trabalho. Talvez eu seja muito burra ou coisa assim.

- Afinal, quer ou não quer que eu vá lá fora lhe comprar cigarros? - disse ele.

- Pelo amor de Deus - disse ela -, se quer tanto ir, não se sinta na obrigação de ficar aqui. Não se sinta amarrado.

- Ora, não seja assim, tá bom? - disse ele.

- Assim como? - disse ela. - Não estou sendo assim nem assado.

- O que há com você? - disse ele.

- Ué, nada - disse ela. - Por quê?

- Você está esquisita esta noite - disse ele. - Mal me dirigiu a palavra desde que cheguei.

- Peço-lhe mil perdões se não está se divertindo - disse ela. - Por favor, não se sinta obrigado a ficar se está se aborrecendo. Aposto que há milhões de outros lugares onde você se divertiria muito mais. Acontece que eu deveria ter pensado um pouco melhor antes. Quando você disse que viria aqui esta noite, desmarquei um monte de compromissos para ir ao teatro ou algo assim. Mas não faz a mínima diferença. Preferia até que você fosse se divertir em outro lugar. Não é muito agradável ficar sentada aqui, achando que vou matar alguém de tédio.

- Não estou morrendo de tédio! - ele urrou. - E não quero ir a lugar nenhum! Por favor, querida, qual é o problema? Me conte.

- Não tenho a menor ideia do que você está falando - ela disse. - Não há o menor problema. Não sei o que você quer dizer com isso.

- Sabe, sim - disse ele. - Há algum problema. Foi alguma coisa que eu fiz?

- Deus do céu - disse ela -, não é absolutamente da minha conta qualquer coisa que você faça. Seja o que for, eu jamais teria o direito de criticá-la.

- Quer parar de falar desse jeito, por favor? - disse ele.

- Falar de que jeito? - disse ela.

- Você sabe muito bem - disse ele. - Do mesmo jeito com que você falou comigo ao telefone hoje. Estava tão ranzinza quando liguei que tive até medo de falar.

- Perdão - disse ela. - Como é que eu estava mesmo?

- Está bem, desculpe - disse ele. - Retiro a expressão. É que, às vezes, você me enche o saco.

- Lamento - ela disse -, mas não estou habituada a ouvir esse tipo de linguagem. Ninguém nunca falou assim comigo, em toda a minha vida.

- Já lhe pedi desculpas, não pedi? - ele gemeu. - Juro, querida. Não sei como pude dizer uma coisa dessas. Vai me perdoar, vai?

- Oh, claro - disse ela. - Pelo amor de Deus, não fique se desculpando. Não faz a menor diferença. Só achei engraçado ver alguém que sempre considerei uma pessoa educada entrar na minha casa e usar um palavreado como este. Mas não faz a mínima diferença.

- Bem, acho que nada do que eu diga faz a menor diferença para você - ele disse. - Você parece magoada comigo.

- Eu, magoada com você? - ela esse. - Não sei de onde você tirou essa ideia. Por que eu estaria magoada com você?

- É o que eu gostaria de saber - disse ele. - Não vai me dizer o que houve? Fiz alguma coisa para magoá-la, querida? Do jeito que você estava no telefone, fiquei preocupado o dia inteiro. Nem consegui trabalhar direito.

- Eu certamente não gostaria de saber que estou interferindo no seu trabalho - disse ela. - Sei que muitas garotas fazem esse tipo de coisa sem a menor cerimónia, mas eu acho terrível. Não é muito agradável ficar aqui ouvindo que estou interferindo no trabalho de alguém.

- Eu não disse isso! - ele berrou.

- Ah, não? - ela disse. - Bem, foi o que entendi. Deve ser a minha estupidez.

- Acho que o melhor mesmo é ir embora - disse ele. - Nada dá certo. Tudo que eu digo só serve para chateá-la cada vez mais. Quer que eu vá?

- Por favor, faça exatamente o que estiver com vontade de fazer - ela disse. A última coisa que eu gostaria de fazer seria obrigá-lo a ficar quando você prefere ir a outro lugar. Por que não vai a algum lugar onde não se aborreça tanto? Por que não vai à casa de Florence Leaming, por exemplo? Tenho certeza de que ela adoraria recebê-lo.

- Não quero ir à casa de Florence Leaming! - ele zurrou. - O que eu iria fazer na casa de Florence Leaming? Ela é um pé!

- Ah, é? - disse ela. - Não era o que você parecia pensar na festa de Elsie, ontem à noite, como eu notei. Ou não teria conversado com ela a noite toda, sem tempo para mais ninguém.

- Exatamente, e sabe por que eu estava conversando com ela? - disse ele.

- Bem, suponho que você a ache bonita - disse ela. - Algumas pessoas acham. É perfeitamente natural. Há quem a ache bonita.

- Não sei se ela é feia ou bonita - disse ele. - Se ela entrasse agora por esta porta, não sei se a reconheceria. Só fui conversar com ela porque você não me deu a mínima atenção ontem à noite. Eu me dirigia a você e você só sabia dizer, “Oh, como vai?” O tempo todo: “Oh, como vai?” E virava as costas imediatamente.

- Eu não lhe dava a mínima? - ela se espantou. - Oh, mas é tão engraçado! É engraçadíssimo! Não se importa que eu ria, não?

- Pode rir até engasgar - ele disse. - Mas que é verdade, é.

- Bem, no instante em que você chegou, começou a fazer um fuzuê por causa de Florence Leaming, como se o resto do mundo não existisse. Vocês dois pareciam estar se divertindo tanto que eu jamais teria me intrometido.

- Meu Deus - ele disse -, a tal moça Florence-não-sei-das-quantas veio falar comigo antes que eu visse qualquer conhecido. O que você queria que eu fizesse? Que lhe desse um soco no nariz?

- Bem, certamente, não o vi tentar - disse ela.

- Mas me viu tentar falar com você, não viu? - disse ele. - E o que você fez? Ficou repetindo “Oh, como vai?” Aí a tal Florence apareceu de novo e me segurou. Florence Leaming! Acho ela horrível. Quer saber o que eu acho dela? Que é uma pateta.

- Bem - disse ela -, claro que essa sempre foi a impressão que tive de Florence, mas sabe-se lá? Há quem a ache linda.

- Ora - disse ele -, como ela poderia ser linda estando na mesma sala que você?

- Nunca vi um nariz tão feio - disse ela. - Tenho pena de qualquer garota com um nariz como aquele.

- Pois é, um nariz horroroso - disse ele. - Já o seu nariz é lindo. Puxa, como o seu nariz é bonito!

- Ora, que nada - ela disse. - Você está louco.

- Ah, é? - ele disse. - E os seus olhos? E o seu cabelo e a sua boca? E olhe que mãos você tem! Venha cá, me empreste uma dessas mãozinhas. Ai, que mão! Quem tem as mãos mais gostosas do mundo? Quem é a garota mais gostosa do mundo?

- Não sei - ela disse. - Quem?

- Não sabe! - ele riu. - Claro que sabe.

- Não - ela disse. - Quem? Florence Leaming?

- Florence Leaming, uma ova - ele disse. - Está puta comigo por causa de Florence Leaming! E eu sem dormir a noite toda e sem conseguir trabalhar o dia inteiro porque você não falava comigo! Uma garota como você se preocupando com um estupor como Florence Leaming!

- Acho que você é completamente louco - disse ela. - Não estava preocupada.  O que o fez pensar que eu estava? Você é louco. Oh, minhas pérolas novas. Deixe-me tirá-las primeiro. Pronto.

Dorothy Parker

sábado, 6 de janeiro de 2018

OUTROS CONTOS

«O Gato Amarelo», conto poético por Manel d' Sousa.

«O Gato Amarelo»
Kabé, o Gato Amarelo

1130- «O GATO AMARELO»

De Évora ao Alandroal
Veio o gato amarelo…
‘Gentle-Cat’ original,
Um felino muito belo!

Veio porque o destino
Quis que ele viesse,
Assim se esclarece
A vinda deste felino.
O gato citadino
Perdeu-se no meio rural,
Este amigo especial
Ninguém mais o avistou…
Mas houve quem procurou,
De Évora ao Alandroal

O palpite foi certeiro
No começo da história,
Viu-o a amiga Glória
Junto à casa do Ribeiro.
Andou nesse roteiro
Até escolher lar singelo,
Este rico caramelo
Traz sorte a quem o adpotar…
De Évora, pra cá ficar,
Veio o gato amarelo.

Através de fotografia
Em montra, identificado…
O gato que era procurado
Na sua casa acolhia.
O senhor Ribeiro sabia
Ter em casa o animal,
Vivia lá pelo quintal
Que ele tinha escolhido…
Deixou de andar perdido
‘Gentle-Cat’ original.

Foi um final feliz
Para o amigo Bebé…
Agora chama-se Kabé,
Mudou tudo de raiz.
Pelo bem que lhe quis
Ainda hoje me interpelo,
Esta história sem paralelo
De pessoas e animais…
Vai ficar nos anais
Um felino muito belo!

Manel d’ Sousa

SÁTIRA...

Meio Ano
Sátira...

«MEIO ANO»

- Nos seis primeiros meses
Não te portaste mal…
O que se seguiu, foi fatal!...
Só aconteceram reveses
Aos nossos portugueses!!
- Sem stress, Presidente,
Trato disso num repente
Depois do défice zero...
Em meio dia recupero
A metade deprimente!!!

POETA

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

OUTROS CONTOS

«Cinco Escritos Morais», por Umberto Eco.

«Cinco Escritos Morais»
Umberto Eco

1129- «CINCO ESCRITOS MORAIS»

[Excerto]

“Quando o outro entra em cena”

Procure… para o bem da discussão e do conforto em que acredita, aceitar, mesmo que por um só instante, a hipótese de que Deus não exista: que o homem, por um erro desajeitado do acaso, tenha surgido na Terra entregue a sua condição de mortal e, como se não bastasse, condenado a ter consciência disso e que seja, portanto, imperfeitíssimo entre os animais. […]

Esse homem, para encontrar coragem para esperar a morte, tornou-se forçosamente um animal religioso, aspirando construir narrativas capazes de fornecer-lhe uma explicação e um modelo, uma imagem exemplar. E entre tantas que consegue imaginar – algumas fulgurantes, outras terríveis, outras ainda pateticamente consoladoras – chegando à plenitude dos tempos, tem, num momento determinado, a força religiosa, moral e poética de conceber o modelo do Cristo, do amor universal, do perdão aos inimigos, da vida ofertada em holocausto pela salvação do outro.

Se fosse um viajante proveniente de galáxias distantes e visse-me diante de uma espécie que soube propor-se tal modelo, admiraria, subjugado, tanta energia teogónica e julgaria redimida esta espécie miserável e infame, que tantos horrores cometeu, apenas pelo fato de que conseguiu desejar e acreditar que tal seja a verdade. Abandone agora também a hipótese e deixe-a para os outros: mas admita que, se Cristo fosse realmente apenas o sujeito de um conto, o fato de que esse conto tenha sido imaginado e desejado por bípedes implumes que sabem apenas que não sabem, seria tão milagroso (milagrosamente misterioso) quanto o fato de que o filho de um Deus real tenha realmente encarnado.

Este mistério natural e terreno não cessaria de perturbar e adoçar o coração de quem não crê.

Umberto Eco

SÁTIRA...

Primeiro Assalto
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Sátira...

«PRIMEIRO ASSALTO»

Fim de primeiro pacto
À liderança do PSD…
Bates tu desta vez,
Eu bato no segundo acto.
Grande falta de tacto
Fingir que não se gramam,
A ninguém enganam
Com esse bater assim…
- Qual dos dois mais ruim?...
As laranjas questionam.

POETA

SÁTIRA...

«A Melhor Escolha»
Sátira...

«A MELHOR ESCOLHA»

- Quem será o trolha
A novo líder do PSD?
- Mas então não se vê?...
Venha o Diabo e escolha!
- Ninguém faz a folha
Ao Diabo Vermelho,
Dou por bom conselho
Em nenhum deles votar…
Outra vez?... nem pensar!...
Bastou o Passos Fedelho!!

POETA

SÁTIRA...

O Veto
Sátira...

«O VETO»

- Não me parece solução
Vetar financiamentos
Aos partidos bolorentos…
Não resolve a situação!
- Zé, parece contradição…
Vês alguma alternativa
Que se mostre decisiva?
- Sejamos analíticos…
Veta de vez os políticos
De forma definitiva!!

POETA

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

OUTROS CONTOS

«Partir é Morrer um Pouco», conto poético por Augusto Mascarenhas Barreto.

«Partir é Morrer um Pouco»
Os Retirantes/ Portinari

1128- «PARTIR É MORRER UM POUCO»

Adeus parceiros das farras
Dos copos e das noitadas
Adeus sombras da cidade
Adeus langor das guitarras
Canto de esperanças frustradas
Alvorada de saudade.

Meu coração como louco
Quer desgarrar-me do peito
Transforma em soluço a voz
Partir é morrer um pouco
A alma de certo jeito
A expirar dentro de nós.

Voam mágoas em pedaços
Como aves que se não cansam
Ilusões esparsas no ar.
Partir é estender os braços
Aos sonhos que não se alcançam
Cujo destino é ficar.

Deixo a minh’alma no cais
De longe canto sinais
Feitos de pranto a correr.
Quem morre não sofre mais
Mas quem parte é dor demais
É bem pior que morrer!

Augusto Mascarenhas Barreto

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

SÁTIRA...

Ninguém Pára o Presidente
Sátira...

«NINGUÉM PÁRA O PRESIDENTE»

- Um Bom Ano Novo
Dos distintos partidos…
Trazem condoídos,
As melhoras do povo.
- Até eu me comovo…
Mas só mandas entrar
Depois de eu ultimar
O veto ao financiamento…
Neste preciso momento
Acabei de chumbar!

- O senhor Presidente
Quer mesmo saber,
O que manda dizer
O staff aqui presente?
- Quero, seguramente!
Com respectiva vénia:
Desejam que a hérnia
Estrangule de vez!...
Murros levei três,
Minha Santa Efigénia!!

POETA

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

SÁTIRA...

Ida às Boxes
Sátira...

«IDA ÀS BOXES»

- Doutor, estou indeciso…
Tenho que ir à faca?
- Uma operação de caca,
Mas vai ser preciso.
Opero com um sorriso
Essa hérnia estrangulada,
Vou cortar a danada
Que está em aflição…
Não resistiu à pressão,
A política é tramada!

POETA

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

SÁTIRA...

O Grande Banho
Sátira...

«O GRANDE BANHO»

- Meu primeiro, uns senhores
Pretendem fazer fiscalização,
À lei que ditou euros na mão
Dos partidos mais gastadores.
- Vai lá dizer a esses estupores
Que podem dar banho ao cão,
Eu agora estou em meditação
Sem tempo para agitadores…
Diz aos fiscalizadores
Que não admito intromissão!

POETA 

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

SÁTIRA...

Y Viva España
Sátira...

«Y VIVA ESPAÑA»

- Hola, Zé... aquí el mínimo
Son 850 euros de ordenado,
Hasta 2020 está asegurado...
Qué dices de este mimo?
- Digo que estou sem ânimo
Com os meus 580,
Não sei se a conta aguenta
Tamanha fartura…
Desenrasca este pendura,
20 euritos que bem assenta!

POETA

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

SÁTIRA...

Futebol Impraticável
Sátira...

«FUTEBOL IMPRATICÁVEL»

No lodo atascado
O futebol nacional…
Comissões, etc e tal,
Desde apito dourado.
Temos jogo viciado
Em correio electrónico,
O polvo supersónico
Estende os tentáculos…
Ricos espectáculos
Com negócio faraónico!

ATEOP

SÁTIRA...

Nadador de Fundo
Sátira...

«NADADOR DE FUNDO»

O mergulho de Natal
Antes da consoada,
A água está gelada
Na praia continental.
Pró Martelo tradicional
Ir a banhos em Cascais,
Sair nas redes sociais
E outra comunicação…
Lá estava a televisão,
Sem esquecer os jornais.

POETA

domingo, 24 de dezembro de 2017

SÁTIRA...

Oh! Oh! Oh!
Sátira...

«OH! OH! OH!»

- Oh! Oh! Oh!... 2018
Défice sem melhoria…
Cá a mim não arrelia,
Toma lá um biscoito!
- Estou feito num oito
Com pacote vazio,
Até que me arrepio
Sem ver nada dentro…
- Nesse jogo não entro,
Sobre tal, nem um pio!

POETA

sábado, 23 de dezembro de 2017

OUTROS CONTOS

«Um Menino Singular», por Guilherme d'Oliveira Martins.

«Um Menino Singular»
Duas Crianças sob a Árvore de Natal
(Paul Adolf Seehaus)

1127- «UM MENINO SINGULAR»

A minha Avó Leonor foi a melhor contadora de histórias que conheci. Nunca repetia uma narrativa. Para o mesmo tema escolhia várias versões, o que era uma verdadeira delícia. Claro que muitas vezes as versões tinham apenas pequenas variantes – mas os atentos ouvintes pediam que a Avó insistisse em mais este ou aquele pormenor. E dizia sempre: «quem conta um conto acrescenta um ponto…». Essa versatilidade era a mesma que nos deixava intrigados quando alternadamente ouvíamos o seu cantar brasileiro contrastante com o impecável falar de Lisboa… O certo é que havia sempre oportunidade ora para a alegria ora para o temor… Não há emoção sem esses ingredientes.

Havia dragões medonhos, labirintos aterradores, bruxedos abomináveis, ameaças terríveis; mas igualmente fadas deslumbrantes, princesas e príncipes adoráveis, heróis destemidos – e ainda pessoas normalíssimas como os empregados da fazenda de Paranaguá onde minha Avó nascera, os gendarmes que conhecera em Laeken, onde vivera, a doceira de Bruxelas fabricante do melhor mil-folhas, as precetoras, as “nannies”, as professoras, as colegas de escola das mais diversas nacionalidades com quem aprendera… Ah, e havia ainda milhentos animais – desde cãezinhos simpáticos, saguins metediços, papagaios mais ou menos inconvenientes, para não falar de cobras nas chácaras (enroscadas nos locais mais inesperados) ou de jacarés na grande fazenda…Compreende-se que houvesse tanta matéria para alimentar histórias extraordinárias…

Nas férias de Natal, havia especiais oportunidades para ouvir tão fantásticos relatos em que a realidade e a ficção se ligavam. E se não houvesse tema, haveria o relato de longas viagens transatlânticas. Não esqueço que, quando vi «E la Nave Va» de Fellini, encontrei muitas das personagens das viagens de minha Avó. Era a especial magia, uma aura ligada à arte em estado puro – simbolizada pelo paradigma não de Edmea Tutea, mas de Eleonora Duse, nome sublime que a Avó considerava também como seu. De facto, seus pais desejaram que se chamasse Eleonora, mas o oficial do registo civil do Paraná preferira a versão mais comum, distante das referências à grande atriz. Quando em cada Natal as luzes do presépio eram inauguradas, com especial pompa, iluminando um conjunto muito diverso de figuras de feltro, feitas com esmero pelas alunas de meu Avô de Língua Pátria, História e Geografia, já sabíamos que havia oportunidade para que cada um daqueles pastores, lavadeiras, músicos, carpinteiros, aguadeiros e tudo mais – além dos Magos, naturalmente – pudesse ser centro de uma história fantástica. Em regra era a oralidade que prevalecia, como nos tempos dos aedos, mas em determinado momento vieram até nós Selma Lagerlöf ou Edmundo de Amicis. E então nasceu outro prazer – o de ouvir ler, pausadamente, cada uma dessas narrativas mágicas e antigas… E aí ouvimos ler: “Lembro-me bem da avó a desfiar histórias, umas após outras, de manhã à noite, enquanto, nós, as crianças, a ouvíamos muito quietas, sentadas a seu lado. Era uma vida esplêndida!”… 

Descobrimos então uma grande escritora a lembrar essa experiência única de contar histórias e de as transmitir pelos séculos dos séculos. E ouvíamos maravilhados: “À entrada de Belém, junto à porta principal da cidade estava de guarda um legionário romano, revestido de armadura e elmo. Da ilharga direita pendia-lhe uma espada, e na mão segurava uma lança. Naquele posto ficava o dia inteiro, quase imóvel, chegando a parecer uma estátua de ferro”… Tempos distantes, figuras de sonho, apelo à imaginação… Nessa narrativa, havia um menino de três anos vestido apenas com uma pele de ovelha, que brincava só, e que chamou a atenção do normalmente distraído soldado por ajudar uma abelha e por se encarregar de cuidar dos lírios do campo. E lembrou-se de uma tremenda profecia: “Se uma criança consegue impossíveis, é porque se aproxima um período terrível. A paz dominará todo o orbe e o dia da guerra nunca chegará!”. Acontece que num dia muito quente, em que o sol abrasava, o legionário quase a desfalecer foi ajudado por aquele menino especialmente estranho, com a dádiva de um pouco de água para se dessedentar. Num primeiro momento, o soldado quis recusar, expulsando a criança inoportuna. Mas subitamente um golpe mais intenso de calor levou o legionário a aperceber-se de que a sua vida estava em risco se não bebesse um pouco daquela água e aceitou a dádiva da criança. Considerou, porém, que tal fora um sinal de fraqueza da sua parte – de que não se perdoava. Veio então a decisão tremenda do rei Herodes da condenação das crianças inocentes. Haveria uma grande festa na cidade de Belém, fechar-se-iam as portas da cidade e seria executada a terrível sentença. O legionário viu então a hipótese de reparar a humilhação de ter sido ajudado por aquele pedaço de gente… «Por ordem do rei, a festa deveria realizar-se na galeria superior, e para esse efeito fora ela transformada em florida alameda do mais belo dos jardins». 

As mães trouxeram consigo os seus filhos, despreocupadas. Ao comprido das paredes da galeria, escondida pelas grinaldas festivas, estava uma fila de soldados armados. Os pequenos foram  perdendo o acanhamento, e começaram a correr e a saltar em grande algazarra. Até que um dos meninos, mais afoito, se aproximou dos homens armados, tocando num deles nas pernas e nas sandálias. Esse foi o detonador bárbaro e com fúria indescritível os militares atiraram-se sobre as crianças, agarrando-as e arremessando-as por cima da varanda. “Durante a confusão que se estabeleceu, enquanto ecoavam gritos horríveis e se perpetrava o mais desumano e cruel dos crimes, esperava imóvel, no alto da escada que dava acesso à galeria, o soldado que costumava fazer guarda a uma das portas da cidade”. Nós ouvíamos a história pregados às cadeiras – plenos de compaixão perante tão ignóbil injustiça. Alguns, lembrados de um poema de Miguel Torga, imaginávamos o rei Herodes de tranças e olhar façanhudo. E aguardávamos por saber qual a atitude do sentinela – e qual o destino do pequenito… Pausadamente, a leitura continuava: o militar viu que uma mulher conseguira deitar mão ao filho e aprestou-se a fazer-lhes frente e a impedir a passagem. Mas uma dor tremenda num dos olhos, precedida dum zumbido, incapacitou-o de agir. Uma abelha interviera naquele momento crucial, para desespero do soldado. E os fugitivos passaram. No dia seguinte, as portas da cidade foram reabertas. Mas havia que encontrar os  fugitivos. 

Então o legionário viu um homem e uma mulher que caminhavam apressadamente. Ele trazia um machado. Ela não trazia o manto do modo como usavam as mulheres de Belém, mas atirado sobre a cabeça assim esconderia o filho, e quanto mais se aproximavam, mais o soldado percebia que a criança era, pela altura e pelo talhe, a do dia anterior. O casal chegou junto do guarda e este intimou a mulher a mostrar o que escondia no manto. O homem disse que iam para o campo e levavam pão e vinho para a jorna. O legionário insistiu para que a mulher mostrasse o que tinha. O homem insistiu para que os deixassem passar e ergueu o machado. Mas a mulher avançou. 

Era o climax da história. A Avó fazia uma pausa. Olhou-nos e leu: “Com um sorriso confiante, a mulher voltou-se para o soldado e atirou para as costas a ponta do manto. No mesmo instante, o soldado recuou e fechou os olhos ofuscado por luz intensa”. O que a mulher trazia irradiava uma claridade deslumbrante. E o legionário percebeu que era um ramo de lírios e era impossível fixá-los tal a luminosidade que emanavam… 

Atónito, remexeu nos lírios e não teve outro remédio senão deixá-los passar. Era capaz de jurar antes que ali estaria uma criança… Nisto, ouve grande alarido, pedindo que aquele casal fosse impedido de sair, pois apurava-se que levavam mesmo o menino suspeito… Como era possível ter voltado a deixar fugir essa criança?… E de cabeça perdida, tomou o cavalo de um beduíno e iniciou uma perseguição desenfreada. Sem sucesso percorreu muitos quilómetros até à exaustão, até que desistiu da desfilada e propôs-se descansar um pouco numa gruta fresca. Com estranheza encontrou à entrada viçosos lírios de uma beleza única. E, para sua grande surpresa, ao entrar, descobriu que ali estavam, à sua mercê, deitados a dormir, incapazes de se defender os três fugitivos procurados. «Rápido, o soldado puxou da espada, inclinou-se sobre o menino adormecido e, com todo o cuidado, apontou-lhe a arma ao coração, a fim de o matar de um só golpe». Com uma alegria mórbida descobriu que, afinal, aquele pequeno era o mesmo que brincava com abelhas e lírios do campo… Herodes recompensá-lo-ia se apresentasse a cabeça da criança.

Seria, por certo, promovido a comandante da guarda de honra. Agora já nada podia impedi-lo. Na mão tinha um belo lírio colhido à entrada, mas depressa se apercebeu que dentro da flor havia uma abelha que rodopiou à volta de sua cabeça. Então o legionário teve um rebate de coração. Lembrou-se de tudo o que tinha acontecido… E até do momento em que o menino o salvara de insolação… 

– Não posso matar quem me salvou a vida. Até a abelha e os lírios foram gratos. O pequeno acordou entretanto e fitou-o com olhar muito doce… O legionário então “beijou-lhe os pés e, recuando devagar, saiu da gruta, enquanto o menino o olhava, sorrindo, sorrindo sempre, com os seus olhos de criança, grandes e admiráveis”…

E assim mesmo a minha Avó continua a contar-nos as suas histórias maravilhosas.

Guilherme d'Oliveira Martins

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

SÁTIRA...

Só?
Sátira...

«SÓ?»

- Sem acordo na intenta
Entre governo e sindicatos,
Os ordenados baratos
Ficam-se pelos 580.
- Cosa-se!... só isso aumenta?
Alô?... é da farmácia?
Afinal era uma falácia…
Os remédios vão pró alho,
Eu fico-me pelo talho
Que produz mais eficácia!

POETA

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

SÁTIRA...

A Consciência Tranquila
Sátira...

«A CONSCIÊNCIA TRANQUILA»

- Sobre a Raríssimas…
De consciência tranquila, (?)
A direita agora aniquila
Essas vidas belíssimas!
- São as mesmíssimas
Frases do Vesgo da Silva...
A conversa não me cativa,
Os políticos que se cosam!!
Comigo vocês não gozam,
O país está à deriva!!!

- Devias falar com prudência…
- Não devo nada à consciência.

POETA

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

SÁTIRA...

O Assunto Complexo
Sátira...

«O ASSUNTO COMPLEXO»

Um assunto complexo
A maldita corrupção,
Não vislumbro solução
Neste labirinto sem nexo.
Ó Diabo!... estou perplexo…
Culpado ou inocente?
O labirinto não mente,
Mea culpa, máxima culpa…
A todos peço desculpa
Pelo Estado deprimente!

POETA

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

SÁTIRA...

As Prendas
Sátira...

«AS PRENDAS»

- Zé, sobre a liderança
Dos dois candidatos ao PSD…
Tu achas que o partido vê
Neles alguma esperança?
- Digo, com toda a confiança,
Duas boas prendas de Natal
Como não encontras igual!...
São dois bons amigos da onça
Que agradam à Geringonça…
- Não fazem bem, nem mal!

POETA

sábado, 16 de dezembro de 2017

MÚSICAS DO MUNDO

E a música de hoje é...
(16 de Dezembro de 1770, nasce o compositor erudito alemão Ludwig van Beethoven)

BEETHOVEN - «Para Elisa»

Poet'anarquista

Ludwig van Beethoven
Genial Compositor Alemão
(Retrato por Friedrich August von Kloeber/ 1818)

OUTROS CONTOS...

«Os Óculos», por Olavo Bilac.

«Os Óculos»
Pintura de Ernesto Frederico Scheffel

1126- «OS ÓCULOS»

O velho e austero doutor Ximenes, um dos mais sábios professores da Faculdade, tem uma espinhosa missão a cumprir junto da pálida e formosa Clarice... Vai examiná-la: vai dizer qual a razão da sua fraqueza, qual a origem daquele depauperamento, daquela triste agonia de flor que murcha e se estiola.

A bela Clarice!... É casada há seis meses com o gordo João Paineiras, o conhecido corretor de fundos, — o João dos óculos —, como o chamam na Praça por causa daqueles grossos e pesados óculos de ouro que nunca deixam o seu forte nariz de ventas cabeludas. Há seis meses ela mingua, e emagrece, e tem na face a cor da cera das promessas de igreja — a bela Clarice. E — ó espanto! — quanto mais fraca vai ficando ela, mais forte vai ficando ele, o João dos óculos, — um latagão que vende saúde aos quilos. Assusta-se a família da moça. Ele, com seu imenso sorriso, vai dizendo que não sabe... que não compreende... porque, enfim, — que diabo! — se a culpa fosse sua, ele também estaria na espinha...

E é o velho e austero Dr. Ximenes, um dos mais sábios professores da Faculdade, um poço de ciência e discrição, quem vai esclarecer o mistério. Na sala, a família ansiosa espia com rancor a gorda face do João impassível. E na alcova, demorado e minucioso exame continua.

Já o velho doutor, com a cabeça encanecida sobre a pele nua do peito da enferma, auscultou longamente os seus pulmões delicados: já, levemente apertando entre os dedos aquele punho macio e branco, tateou o pulso, ténue como um fio de seda... Agora, com o olhar arguto, percorre a pele da bela Clarice — branca e cheirosa pele — o colo, a cinta, o resto... De repente — que é aquilo que o velho e austero doutor percebe na pele, abaixo... abaixo...abaixo do ventre?... Leves escoriações, quase imperceptíveis arranhaduras avultam aqui e ali vagamente... nas coxas...

O velho e austero doutor Ximenes funga uma pitada, coça a calva, olha fixamente os olhos da sua doente, toda alvoroçada de pudor:— Isto que é, filha? Pulgas? Unhas de gato? E a bela Clarice, toda de confusão, enrolando-se no penteador de musselina como n’uma nuvem, balbucia, corando:

— Não! Não é nada... não sei... isto é... talvez seja dos óculos do João...

Olavo Bilac

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

SÁTIRA...

Do Quiosque para o Mundo
Sátira...

«DO QUIOSQUE PARA O MUNDO»

Num quiosque de jornais
Conheci vidas riquíssimas…
Fui acabar na ‘Raríssimas’,
O dinheiro nunca é demais!
Eu ambicionava ter mais…
A ocasião faz o ladrão,
Aprendi que a corrupção
Era forma d’enriquecer…
Com amigos no Poder,
Corrompi a ‘Instituição’.

POETA